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Imagem do Baal - O Mito da Carne: 30 anos do Teatro do Incêndio/TeatroAosTragos
Teatros e Espetáculos

Domingo, 27 de setembro

Baal - O Mito da Carne: 30 anos do Teatro do Incêndio/TeatroAosTragos

São Paulo - SP

Imagem do Baal - O Mito da Carne: 30 anos do Teatro do Incêndio/TeatroAosTragos

Sobre o evento

Apresentação Em 2026, ao completar 30 anos de história, o Teatro do Incêndio faz uma releitura atualizada de seu maior sucesso: “Baal – O Mito da Carne”, resultado de uma pesquisa que uniu quatro versões e diversos fragmentos da primeira peça de Bertolt Brecht, compondo uma unidade particular e brasileira dessa obra matriz de sua dramaturgia. O espetáculo se manteve por dois anos em cartaz e foi convidado por José Celso Martinez Corrêa a cumprir uma temporada esgotada no Teatro Oficina, de janeiro a março de 1997. Hoje, na maturidade da Companhia, o espetáculo é revisto, mantendo sua estrutura inicial e a força de sua comunicação. Essa montagem comemora a existência da Companhia em 12 apresentações que buscam manter as atividades initerruptas do Teatro do Incêndio desde sua fundação. Texto do primeiro programa de 1996 “Baal deus adorado pelos seminatas como a deusa do dia de hoje: Iansã, deusa do furacão. Os profetas judeus que anunciavam o deus Mona, de concepção “elevada”, detestavam este deus que renascia incessantemente sagrando a vida orgânica, as forças elementares do sangue, da sexualidade e da fecundidade. Baal é a tendência de toda civilização que se torna rígida, ao eterno transtorno de tornar a exaltar as forças instintivas incorretas, mas responsáveis pela continuidade da vida. No início do século foi xamado pelo poeta cantor de 21 anos, vindo com Lulu, do espírito da terra, do ventre das florestas negras para Munich, capital de capitais que fabricam a linha mecânica da civilização industrial do nosso século. Baal morreu só, na lama, olhando as estrelas e fazendo descaso. Brecht renasceu de novo & real na luta contra o capital. Mas, o cogumelo de Baal ficou na bosta fundamental de toda a sua dramaturgia, até na gula de Galileu. Deu vida de carne a todas as criaturas que mesmo no distanciamento estavam sempre como Baal cagando, olhando as estrelas e debochando. Mas B.B. não queria a solidão. Buscou a cia, a ágora, o todo mundo em companhia de muitos baals, buscando e fracassando na conquista na condição de todos os poderes aos gulosos da vida. Seus personagens, comida e comidos, heróis comi-trágicos das altas curvas de subida e descida do capital redentora do Deus único inatingível. Bertolt Brecht não matou Baal, o que morreu olhando as estrelas, fi cou no ventre de B.B. e como um guia, para que não se perdesse  o seu poeta, e a carne viva de suas entidades. Até o comunismo de BB. tinha a graça orgástica de Baal, a do primeiro fruto do pecado, que é de onde vem toda a árvore da vida. Hoje, em São Pã, fim de século e milênio, Marcelo, o Fonseca xama Baal. No elevado mundo dos juros altos, das sublimações messiânicas, das florestas de arrasadas, em que até atores viram censores das elevações consensuais, compassivas dos que estão editando o globo politicamente correto, monoteísta, seco, asséptico. Dos oasys respiração da terra, num teatro, esse Baal retorna no Brasil como o cogumelo, como muda, plantação de outra floresta e desta vez não vai morrer de solidão, nem vai ter que se esconder nos poucos vícios de seus personagens. Vai ter o luxo de todos. Este Exu que fez nascer, Brecht, como poeta pro mundo, é invocado hoje, no domínio total da economia, da buro e tecnocratia das altas esferas que em nome do Deus único, seu Jeová $real, jogam a multidão cortada na lama. Mas da lama vem o espírito da terra, do seu inferno renascem seus exus, Baal, Dionizios, Lulus, suas fomes e suas comidas. Há um renascimento, mais que político, social, religioso, de classe ou econômico, há um renascimento vital, erótico, das forças bárbaras, guerreiras, humanas que vão montar sobre estes cavalos da tecnologia de ponta e tomarem o phoder. No eterno transtorno das forças do espírito da terra estão de volta anunciando a humanidade ligada a sua bestialidade à sua origem vegetal, lembrando que não tem somente 2000 anos e que não nasceu para amar um só Jesus. Jesus tomou cogumelo com os Tahahumaras como conta Artaud que vem revindo com seu centenário. Jesus é um exu como Baal que não mais vai ser crucificado, mas explodido dos quatro cantos da cruz para ser comido por toda a humanidade na lama que ressuscita néo arcaica e tecnizada, nos primeiros sinais de suas primeiras plantinhas replantadas, nos canteiros quase invisíveis dos teatros. Seus heróis renegados pelas religiões cifilizadoras chegam. Rito do Deus humano ao vivo do poeta traz Baal. Que seja bem comido por Marcelo Fonseca para se dar de comer em banquete como um grande acontecimento social desta obra primeira, desta primeira comunhão de Bertolt Brecht, que, mesmo que morra Baal renasça com Bertolt Brecht, Marcelo Fonseca e nós todos. José Celso Martinez Corrêa” Paraíso, 4 de dezembro de 1995 Um Eterno Retorno A primeira peça de Bertolt Brecht é também a primeira peça do grupo. Exu, Quem Come Antes. Baal é o deus fenício da fertilidade e da fecundação da terra. Trata-se de um texto mítico de Bertolt Brecht, escrito pelo autor em sua juventude e reescrito mais tarde pelo menos quatro vezes, além de contar com inúmeros fragmentos sobre o personagem. O Teatro do Incêndio nasceu em 1996, com a estreia de “Baal – O Mito da Carne”, de Bertolt Brecht, em uma antiga fundição de ferro no bairro de Pinheiros, em São Paulo. A peça construiu uma trajetória de dois anos, com temporadas no Teatro Oficina, no Projeto Equilíbrio, na Oficina Cultural Oswald de Andrade e apresentações em dez unidades do Sesc pelo interior, além do Sesc Vila Mariana. Em sua primeira formação, o grupo foi batizado de TeatroAosTragos (em livre tradução, “Canto do Bode”). Trata-se, de certa forma, de um texto autobiográfico de Brecht, caracterizado como pós-diluviano. Retrato do amor em um mundo devastado pela guerra “Baal – O Mito da Carne” trata do encontro de Baal e Ekart, dois homens ávidos pela comunicação, pelo prazer e pela vida no mundo do pós-guerra. Como excluídos, colocados à margem da sociedade, revidam a violência sofrida. Baal é o provocador de desastres e deleites que mexem com as pessoas, causando encantamento ou morte. Ele explora os limites e prova que não é cruel, que bem e mal são consequências e que não há culpa. É associal em um mundo igualmente associal. A montagem, relida pelos dias atuais, pelo amadurecimento estético do grupo e pelas questões que envolvem misoginia, racismo e homofobia presentes em nosso cotidiano, pretende explorar o teatro popular ligado ao Cabaret, que Brecht tanto admirava. Trata-se do Brecht jovem, que serviu à guerra como médico do front e sobreviveu às atrocidades dos combates. Os personagens Baal e Ekart estabelecem uma relação íntima, como a dos poetas franceses Rimbaud e Verlaine, e a atmosfera surrealista que paira sobre o texto — que zomba do expressionismo — direcionou os primeiros passos do Teatro do Incêndio. Foram dez meses de ensaios diários dedicados a essa construção, em uma pesquisa sobre o Teatro Dialético de Brecht e o Teatro da Crueldade de Antonin Artaud. O Animal: “Primeiro a barriga. Depois a Moral” Na peça, tudo é camuflado: a relação homossexual, a religiosidade. Tudo se oculta por trás do véu moral de uma sociedade hipócrita, contra a qual o poeta se insurge e pela qual é destruído, debochando de tudo. De explícito, existe a seriedade “de bicho” de Baal e a busca de elementos primitivos do homem. Baal quer entrar na terra, dormir como uma planta, viver como uma árvore. Histórico e atualidade O texto é uma adaptação dramatúrgica feita e refeita em suas versões — como o próprio autor fez ao longo da vida — pelo encenador do grupo, em debates com elencos distintos, e se trata de uma versão única da peça, nascida de um processo de 10 meses de ensaios. A peça pretende ser a própria festa de 30 anos do grupo, com estreia desejada para 2026. São 30 anos de uma companhia de trabalhos ininterruptos que se comemoram. José Celso Martinez Corrêa escreveu o texto para o programa da primeira montagem e, um ano depois, convidou o espetáculo para ocupar o Teatro Oficina por quatro meses. Fauzi Arap assistiu a diversos ensaios, tornando-se uma espécie de padrinho e orientador do grupo em seus primeiros rudimentos artísticos e passos fundamentais. Foram dois anos de pesquisa e imersão sobre o texto e a vida de Brecht. Os ensaios duraram dez meses e resultaram em 14 readaptações. Agora, apoiados nas palavras de Peter Brook — “o autor, depois de morto, evolui” —, tentamos entender o que o poeta, inviável no mundo de hoje, tem a dizer e que sentido mudou nas mesmas palavras. Baal é um personagem que canta e faz os outros cantarem. A obra traz enxertos da poesia de Gregório de Mattos — “que também era Baal” — e de Bernardo Guimarães. A estética deste espetáculo é a do ser humano inviabilizado. Ficha Técnica Texto: Bertolt Brecht Texto: Bertolt Brecht Tradução, Versão e Direção Geral: Marcelo Marcus Fonseca Tradução, Versão e Direção Geral: Marcelo Marcus Fonseca Direção Musical: André Pereira Lindenberg (Dedéco) Direção Musical: André Pereira Lindenberg (Dedéco) Iluminação: Rodrigo Sawl Iluminação: Rodrigo Sawl Direção de Produção: Vanda Dantas Direção de Produção: Vanda Dantas Assistente de Direção: Stella Rocha Assistente de Direção: Stella Rocha Assessoria de Imprensa: Eliane Verbena – Verbena Comunicação Assessoria de Imprensa: Eliane Verbena – Verbena Comunicação Gestão de Projeto: Colmeia Produções Gestão de Projeto: Colmeia Produções Realização: Teatro do Incêndio Realização: Teatro do Incêndio Elenco: Daniel Ortega, Marcelo Marcus Fonseca, Stella Rocha, Josemir Kowalick, Cristiano Sales, Anna Bia Viana, André Pereira Lindenberg, Lucas Costa, Leonardo Chagas, Isabella Imparato. Elenco: Daniel Ortega, Marcelo Marcus Fonseca, Stella Rocha, Josemir Kowalick, Cristiano Sales, Anna Bia Viana, André Pereira Lindenberg, Lucas Costa, Leonardo Chagas, Isabella Imparato. Músicos: André Pereira Lindenberg (Dedéco) e Xantylee Jesus Músicos: André Pereira Lindenberg (Dedéco) e Xantylee Jesus Teatro do Incêndio – Cronologia O grupo teatral foi criado em 1996 pelo ator, dramaturgo e diretor Marcelo Marcus Fonseca, pelo diretor musical e ator Wanderley Martins, pela atriz e produtora Carolina Gonzalez e por outros artistas. Sua sede está instalada em uma casa histórica de características europeias, datada de 1905. Essa construção centenária carrega não apenas a arquitetura característica da época, mas também uma rica história que se entrelaça com o desenvolvimento cultural e social de um dos bairros mais icônicos da cidade. Sob a direção artística de Marcelo Marcus Fonseca, o Teatro do Incêndio tornou-se um importante centro de produção cultural em São Paulo. Suas montagens dialogam com temas sociais relevantes, explorando a identidade e a cultura brasileiras de maneira visceral e poética. 2025 - Vocês Não Entenderam Nada (René de Obaldia). Dois Perdidos Numa Noite Suja (Plínio Marcos). São Paulo Surrealista (Marcelo Marcus Fonseca). 2024 - Águas Queimam na Encruzilhada (Marcelo Marcus Fonseca). Pano de Boca - A Última Leitura (Fauzi Arap). De Dionísio para Koré (Marcelo Marcus Fonseca). 2023 - Pano de Boca - Um Conserto de Theatro (Fauzi Arap). 2022 - Águas Queimam na Encruzilhada (Marcelo Marcus Fonseca). 2019 - Apresentação de repertório - espetáculos: São Paulo Surrealista, O Pornosamba e a Bossa Nova Metafísica, O Santo Dialético, A Gente Submersa e Rebelião - O Coro de Todos os Santos. 2018 - Um Povo Omitido (Marcelo Marcus Fonseca). Rebelião - O Coro de Todos os Santos (Marcelo Marcus Fonseca). 2017 - A Gente Submersa (Marcelo Marcus Fonseca). 2016 - O Santo Dialético (Marcelo Marcus Fonseca). Todos os Homens Notáveis (Marcelo Marcus Fonseca). 2015 - Pano de Boca - Um Conserto de Theatro (Fauzi Arap). De Dionísio Para Koré - dança-teatro (Marcelo Marcus Fonseca). 2014 - O Pornosamba e a Bossa Nova Metafísica (Marcelo Marcus Fonseca). 2013-2014 - São Paulo Surrealista (Marcelo Marcus Fonseca). 2013 - A Baby Sitter (René de Obaldia). Baal - O Mito da Carne (Bertolt Brecht / adapt. Marcelo Marcus Fonseca). Fim de Curso (René de Obaldia). 2012 - São Paulo Surrealista (Marcelo Marcus Fonseca). São Paulo Surrealista 2: A Poesia Feita Espuma (roteiro: Marcelo Marcus Fonseca). 2011 - Joana d’Arc - A Virgem de Orleans (Schiller). 2010 - Lição de Botânica (Machado de Assis). 2009 - Na Selva das Cidades (Bertolt Brecht). 2008 - La Ronde (Arthur Schnitzler). 2006 - Todos os Homens Notáveis (Marcelo Marcus Fonseca). 2005 - A Boa Alma de Setsuan (Bertolt Brecht). 2003 - Odile (Marcelo Marcus Fonseca). 2001 - Anjos de Guarda (Zeno Wilde). 2000 - Beatriz Cenci (Antonin Artaud). 1999 - Salve o Prazer - Assis Valente (evento promovido pela Secretaria de Estado da Cultura, com Pascoal da Conceição, Cida Moreira, Renato Borghi, Luís Damasceno, Marat Descartes, Bocato e outros. Exercício Aeróbico para Padre e Banda - Opus 1999 (Sade). A Filosofia na Alcova (Sade). 1998 - Chá com Sade (evento reunindo José Celso Martinez Corrêa, Jorge Mautner, Iacov Hillel e Eliane Robert de Moraes sobre a obra do Marquês de Sade) e leitura de Filosofia na Alcova. Brecht 100 Anos / Baal - O Mito da Carne (Sesc Vila Mariana e outras 10 unidades do Sesc São Paulo). 1997 - O Balcão (evento - Primeira versão com Zé Celso Martinez Corrêa, Renato Borghi, Jairo Mattos e outros). O Balcão (Jean Genet - TBC). Baal - O Mito da Carne (Teatro Oficina). 1996 - Baal - O Mito da Carne (Bertolt Brecht - estreia do grupo no Espaço Projeto Equilíbrio).

Dia e horário

Domingo, 27 de setembro de 2026 às 20:00

Como chegar

Teatro do Incêndio
Rua Treze de Maio48
Bixiga, São Paulo - SP

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Teatro do Incêndio